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Como será a Aprendizagem na 3ª década do século XXI?

Como será a Aprendizagem na 3ª década do século XXI?

Tal como prognosticava Alvin Toffler no seu magistral livro a Terceira Vaga, sociologicamente, a mudança das metodologias, das técnica ou dos processos nas Civilizações e nas Sociedades não acontecem de forma instantânea, nem mesmo nas revoluções, ou seja, há uma coabitação de vários sistemas onde, de forma paulatina, uns substituem os outros, todavia, aquilo que aconteceu com a Educação e com a Formação Profissional, assim como Aprendizagem, ao longo dos tempos, embora acompanhe esta lei universal, por serem estruturantes da vida em sociedade, as alterações ocorreram sempre de uma forma muito lenta, mesmo num tempo como aquele que vivemos, em que tudo acontece quase à “velocidade da luz”.

Se observarmos áreas como a tecnologia, a medicina, a farmacologia, a banca; em suma, todos os setores estruturantes da sociedade em que vivemos, tudo muda em menos de uma década, onde o todo se torna irreconhecível um século depois, porém, nos processos de aprendizagem, em bom rigor, não existem diferenças substanciais entre Academia de Platão e o Liceu de Aristóteles, que foram criados há 2.500 anos atrás, e os atuais centros de saber, pois o processo é igual: um quadro, seja ele de pedra branca ou da escura ardósia, cerâmico, acrílico ou eletrónico, usando mesmo o LCD ou o projetor vídeo acionados pelo PowerPoint, escritos ou manipulados por um Professor/Formador que transfere informação para um conjunto de Alunos ou Formandos; substantivamente nada se modificou.

É aqui que, como diz o povo “está o busílis”: o físico, o mecânico de quadrigas ou o alquimista da Grécia antiga, nada têm a ver com o médico, o mecânico ou o farmacêutico dos nossos tempos; mas os professores, ou seja, aqueles que ensinam, trabalham e agem da mesma maneira, portanto, aquilo que propomos para a terceira década deste século é dar ao processo de aprendizagem um fulgor semelhante àquele que está a ocorrer nos outros setores, sabendo de antemão que haverá sempre pessoas a aceitar a mudança de acordo com a Curva de Gauss (Normal):

curva-normal

Dito de outro modo, onde os retardatários estarão nos 15,87%, a maioria tardia nos 34,13%, a maioria inicial nos 34,13%, os adotantes iniciais nos 11,32% e os inovadores nos 4,55%, contudo, para se vencer esta tendência normal, será então necessário implementar um movimento revolucionário na Educação e na Formação Profissional que “force” a mudança, para que ela deixe de ocorrer ao “sabor” dos tempos. É aquilo que fazemos na DLC, ao propormos ao mercado alterações que sejam capazes de inverter o normal curso da história, por essa razão, temos vindo a ensaiar durante mais de 19 anos o Modelo SAFEM-D e a Plataforma NetForma, destinados ambos ao eLearning, bLearning e mLearning multimédia, interativos e responsive, que serão capazes, no ensino da Língua Portuguesa e também na aprendizagem em todos os setores profissionais, de gerar condições destinadas a reduzir o tempo de aquisição de conhecimentos e ampliar a eficiência para níveis não imaginados do processo de aprendizagem e de desenvolvimento das competências, recorrendo à Aprendizagem através da Tecnologia e, nas empresas, ao Sistema Trial.

Aprendizagem através da Tecnologia – conceito e evolução

O tema “Aprendizagem através da Tecnologia” ou “Aprendizagem Suportada pela Tecnologia” poderá levar-nos a interpretações erradas, embora saibamos que se pretende colocar a tónica num processo, onde o ato de aprender será mediado pela tecnologia, tendo como suporte o computador e a Internet; foi por esta via que surgiu o Ensino Assistido por Computador e, depois, o eLearning.

Ao longo da história da pedagogia sempre se quis reforçar o princípio do ensino, dando primazia àqueles que têm a nobre tarefa de transmitir a informação, quiçá, passar o conhecimento; denominam-se eles professores, formadores ou tutores, sem nunca esquecer que nesta abordagem estamos a dar um papel passivo aos que aprendem. Levar-nos-ia muito longe fazer uma abordagem profunda sobre a legitimidade do conceito de ensino e do ato de ensinar, mas não será difícil admitirmos que a aprendizagem varia com cada pessoa e também como o seu estilo biopsicossocial, onde a aquisição de conhecimentos depende das aptidões individuais, das expectativas, do autocontrolo e da automotivação, isto é, de algo idiossincrático e que está intimamente relacionado com as inteligências de cada ser humano: a cognitiva e a emocional.

É nas metodologias pedagógicas e nos meios tecnológicos que vamos centrar a nossa análise e reflexão ao logo deste ensaio, porque o Homem sempre teve a preocupação de perceber como é que adquiria os conhecimentos e se podia melhorar o seu desempenho ou, ainda, se seria possível aprender em menos tempo, embora esta última inquietude não tenha assumido um papel de relevo, pois a velocidade a que se moviam as sociedades, e mesmo as civilizações anteriores aos séculos XX e XXI, não era, em si mesma, impulsionadora desta necessidade.

Diga-se em abono da verdade que desde as civilizações Greco-romanas até ao Renascentismo, em quase todas as áreas, incluindo as inerentes às técnicas, todas andaram a um ritmo lento; só no Século XVII, pelas exigências da 1ª Revolução Industrial, todos os setores técnico-científicos aceleraram; todavia, a Pedagogia e a Psicologia só descolaram deste longo sono letárgico, já no final do Século XIX com Wilhelm Wundt, tendo atingido uma velocidade de cruzeiro já na primeira metade do Século XX, com Pavlov, Watson, Thorndike, Skinner, Vygotski e Piaget.

Se fizermos uma análise retrospetiva, tendo como mote o ensino/aprendizagem a partir dos suportes que a tecnologia em cada época proporciona, temos de regredir 5.600 anos até à Suméria e às suas célebres Tabuinhas de Argila, escritas em linguagem cuneiforme, pois só assim podermos compreender como neste período tão remoto se guardava o conhecimento e também como ele era disponibilizado aos aprendentes dessa época.

Na linha de McLuhan, H. M. (1967) e da sua “Aldeia Global”, onde tudo se mede em nanossegundos, o Homem de hoje tem de aprender em consonância com esta era, onde a aquisição de conhecimentos deve ser suportada e catapultada pela Tecnologia da Informação e da Comunicação. Se formos rigorosos, vamos verificar que tal não acontece, pese embora o facto de áreas de enorme relevo para a evolução do conhecimento, como a Psicologia, as Ciências da Educação e a Neurociência, que desde sempre têm dado inúmeros e valiosos contributos para tornarem mais célere e eficaz o processo de ensino/aprendizagem, só aqui e além têm conseguido esse objetivo primordial.

Por eLearning deve entender-se a aprendizagem por meios eletrónicos; este será talvez o primeiro equívoco, pois na verdade, devido à World Wide Web, é quase sempre interpretado ou definido como Ensino a Distância, todavia, todos os processos ligados ao ensino e à formação que utilizam suportes tecnológico- informáticos, como CD-ROM, DVD, e-mail, Internet, PODCAST, telemóvel, etc., são passíveis de serem categorizados como pertencendo a esta modalidade didático-pedagógica.

computador

Outro grande equívoco nasce com o próprio eLearning e com os seus principais divulgadores, ou seja, o grupo de engenheiros do MIT – Massachusetts Institute of Technology, da Stanford University e da Harvard University, quando no final da última década do Século XX disseram ao Mundo: “viva o eLearning, morra o Presencial” e avançaram para as grandes empresas e outras organizações de importância estratégica, como é o caso das forças armadas, onde o prestígio outorgado pelas universidades de onde eram oriundos, acabou por impor uma verdade que o tempo rapidamente desmentiu.

Estes homens e mulheres espalharam assim a “boa nova” aos quatro ventos, mas os resultados foram muito diferentes do que era esperado, porque “nada” do que foi prometido se cumpriu: aprendizagem muito mais rápida de acordo com as exigências do nosso tempo, custos reduzidos, formação generalizada e célere, democratização do saber, fontes inesgotáveis de conhecimento; enfim, foram passando os anos e os gestores das organizações tiveram de mandar os seus “exércitos” regressar aos meios convencionais de aprendizagem, porque as profecias não se tinham tornado realidade, apenas restaram as plataformas, de que a Moodle será o exemplo mais generalizado, destinada a fazer a gestão dos conteúdos a distância, sem que isso traga qualquer inovação no processo de aprendizagem; ao invés, pela sua má qualidade, “vacina” as pessoas contra o eLearning, o que representa um retrocesso monumental para as Ciências da Educação.

Conclusão

Ao longo desta breve dissertação sobre a Aprendizagem através da Tecnologia falámos sobre as falácias e os equívocos que, à escala mundial, “atormentam” esta metodologia, cuja expressão máxima é o eLearning; assim, para se poder separar “o trigo do joio”, de modo a não confundir o que já está profundamente pensado, testado e investigado, ou seja, aquilo que recorre ao planeamento pedagógico, ao multimédia, à programação, ao web design e à interatividade, com os modelos de “eLearning” feitos por ferramentas autor, com vídeo-aulas que emanam da gravação das próprias lições, com professores a falarem para uma câmara sem respeitarem as regras do método expositivo, com o recurso a avatares e a banda desenhada sem critérios didático-pedagógicos; enfim, são disseminados processos sem fundamento científico, gerando mitos que, em si mesmo, pretendem impedir que um trabalho sério se difunda nas organizações, principalmente, nas grandes empresas. Esta é, sem dúvida, a principal batalha que a Aprendizagem através da Tecnologia e Sistema Trial terão de vencer.

O mito que “obriga” os decisores a chamarem sempre os informáticos quando o assunto é o eLearning, pois para muitos gestores são estes os profissionais mais entendidos nesta área. É um erro monumental e o principal responsável por o eLearning e bLearning não terem assumido um lugar de enorme destaque na Formação Profissional e no Ensino Superior, uma vez que a investigação demonstra que devem ser os pedagogos a assumir a total responsabilidade por projetos desta índole, pois são eles que estudam a educação e a formação neste âmbito.

Quando o eLearning é suportado por um Modelo Pedagógico adequado, utiliza uma Plataforma de qualidade, os conteúdos são produzidos por especialistas assessorados por pedagogos e existe uma transposição eficaz para materiais elaborados no multimédia, de modo a construir produtos interativos, apelativos e capazes de estimular os sentidos e o cérebro dos aprendentes; dir-se-á que esta metodologia é superior à Presencial para determinado tipo de matérias; mas não se esgota aqui, pois conjugada com outras técnicas, como o bLearning e o Sistema Trial, poderá conduzir a um processo de aprendizagem que atinja um sucesso nunca antes alcançado.

Outro mito que urge desmistificar, e até destruir, é a crença de que o eLearning, bLearning e mLearning não podem ser aplicados às mais diversas áreas do conhecimento, o que fará delas metodologias complementares. Paralelamente, há uma convicção muito difundida que a Aprendizagem através da Tecnologia só será aplicável a alguns tipos de técnicas ou saberes, o que está demonstrado não ser verdade. Em suma, estas são as batalhas que urge ganhar para que os sistemas suportados pela tecnologia se possam instalar de forma perene no processo de ensino/aprendizagem, em todos os ciclos ou graus de ensino e na formação profissional, propiciando deste modo que o Sistema Trial criado pela DLC possa ser totalmente implementado nas grandes empresas portuguesas, quiçá, mesmo nas mundiais.

António Augusto Fernandes
Ph. D. em Ciências da Educação

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