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Educação Digital

Educação Digital

O Passado, o Presente e o Futuro

Falar de educação leva-nos de imediato a uma reflexão essencial: devemos dizer simplesmente “aprendizagem”, selecionar “ensino” ou retomar o conceito que o verbo educar nos propõe? – Na realidade, o único ato que podemos controlar de uma forma eficaz é a aprendizagem, pois podemos medi-la. Quanto ao conceito ensinar, será um comportamento que dificilmente se consegue avaliar com rigor, o que conduz muitos investigadores a afirmarem que só a aprendizagem poderá ser verdadeiramente mensurável, assim, nesta constelação de palavras, só esta última justifica a escolha.

Porém, é recorrente que no ensino básico e secundário o termo educação possa assumir uma papel central, o mesmo acontece em algumas áreas profissionais, de que a medicina será um bom exemplo. Aqui não se fala em aprendizagem, nem mesmo em formação profissional, mas unicamente em Educação Médica. Existe uma razão de fundo para esta prática, pois o ato médico está muito para além da aquisição de conhecimentos, de técnicas, de métodos e de processos; existe uma situação holística, onde a função irá abarcar tudo o que a ciência tem descoberto e disponibilizado a estes técnicos; na qual a relação médico-doente e o relacionamento são a chave para o sucesso. Ora todas estas componentes só podem ser alcançadas num sistema global como o proposto pelo conceito de Educação.

Quando falamos de Educação Digital estamos a adotar a mesma lógica que usou a medicina, isto é, a encarar a aprendizagem como uma ação abrangente, onde a aquisição dos conhecimentos e das competências, o treino e a ligação à prática do dia a dia estão totalmente associadas às atitudes, às emoções e aos valores que o aprendente capta e integra como um todo. Educar é dotar cada pessoa de um conjunto de comportamentos que são usados no quotidiano de uma maneira global e agregada.

Se no passado era necessário educar de forma holística, no presente, poder-se-á dizer que nada mudou enquanto processo de aprendizagem, porém, a rapidez a que tudo ocorre é vertiginosa, pois costumavam dizer que 98% daquilo que foi inventado ocorreu nos últimos duzentos anos, mas agora podemos afirmar, o que usamos atualmente, embora possa ter sido criado no século XX, a versão que usamos foi desenvolvida nos últimos 25 anos. Há, portanto, uma aceleração como nunca ocorreu em 6.000 anos de história escrita e que tenderá a tornar-se cada vez mais rápida, fruto exatamente da Revolução Digital.

Assim, no presente temos os nativos digitais, a quem temos de ensinar a utilizar bem os recursos virtuais: na educação, no trabalho e no lazer, porque para eles os equipamentos, por mais diversos que sejam, não representam qualquer tipo de barreira, que é como dizer, as gerações Y, X e Z, de 1980 até hoje, se bem que, os verdadeiros nativos pertencem à Z, denominados: os pós-milénio. Existe, contudo, um enorme paradoxo, pois estas três gerações nasceram na época do digital, mas será o analógico que domina as suas vidas. As escolas e as famílias que os estão a educar, de um modo global, estão desfasadas da realidade digital, e mesmo os nascidos na década de 90, que hoje enfrentam o mundo do trabalho, vão constatar que a Revolução Industrial 4.0 está longe de chegar à maioria das empresas. Dito de outro modo, os computadores, tablets e smartphones não têm segredos para estes nativos digitais, mas as melhorias que eles podem trazer na automatização e na redução do trabalho, bem como outras tarefas diárias, onde a educação e a formação profissional se incluem, está quase toda por fazer.

Atualmente, urge fazer uma Revolução Digital em todos os setores, onde através das Universidades Seniores se eduque os que nasceram na primeira metade do século XX, pois embora a maioria já não trabalhe, o entretenimento e as ações junto da sociedade, como os impostos, redes sociais e outras necessidades, de que a cultura é um excelente exemplo, exigem estas competências. Depois, nos nascidos no terceiro quartel do século XX, para além das exigências já referidas para os seniores; estes estão na vida ativa, todavia, a iliteracia digital acaba por torná-los nos analfabetos do século XXI. Anualmente, as empresas e o Estado perdem milhões de euros devido a incapacidade digital da esmagadora maioria destas pessoas, por essa razão, é urgente criar planos de formação contínua em eLearning e bLearning, para dotar estes profissionais das competências que eles tanto carecem.

Mais uma vez lutamos contra uma situação paradoxal; que aliás ocorreu vezes sem conta nos períodos históricos anteriores, mas agora são mais visíveis, pois a aceleração a que as sociedades estão hoje sujeitas é, incomensuravelmente, maior. A luta contra o preconceito, o imobilismo e também ao “faz que faz sem fazer”, tem de ser travada nas organizações públicas e privadas, pois por mais “evangelizadores” que tenha havido a trazer a “boa nova”, nas universidades e na formação profissional, estas continuam a privilegiar a metodologia presencial, pois é o que dominam, aquela em que acreditam e que lhes dá conforto, proteção e tranquilidade, portanto, mudar será algo que não está nos seus planos. Como poderemos generalizar os meios digitais se os processos para a mudança são maioritariamente analógicos?

Este paradoxo não é uma “doença nacional”, em todos os países do mundo mais desenvolvido deparamos com ele. O MIT, a Harvard University, a Yale University, a Stanford University, a Maastricht University, a McMaster University, o INSEAD e a Universidade Católica Portuguesa, todos usam o eLearning e bLearning, mas por razões metodológicas e economicistas, aquilo que fazem nestas áreas tem uma qualidade altamente questionável, pois os MOOC e os Open Course Ware são aulas presenciais filmadas, vídeo aulas e pouco mais, ou seja, não existe um verdadeiro empenho metodológico, pedagógico e tecnológico para dar aos produtos de educação (cursos/aulas) uma elevada eficiência e eficácia, usando processos de investigação que demonstrem que a educação digital multimédia, interativa e responsive, em conjugação com a metodologia presencial ativa, são uma solução com muito melhores resultados qualitativos e quantitativos, como já foi demostrado pelo Sistema TRIAL (evolução do Sistema DUAL na formação profissional, no ensino em alternância, bem como no ensino superior).

Lisboa, 10 de agosto de 2018

António Augusto Fernandes, Ph. D.
CEO da DLC

 

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