Reflexão Indispensável em Tempos de COVID-19

Reflexão Indispensável em Tempos de COVID-19

Reflexão Indispensável em Tempos de COVID-19

Estimados Amigos, Clientes e Parceiros,

O CEO da DLC, desde os anos 80 que trabalha em Ensino a Distância e, a partir de 1995, tem desenvolvido uma missão de “apostolado” em prol do eLearning, bLearning e mLearning. Começou no Instituto de Formação Bancária, depois no Instituto Superior de Gestão Bancária e na Universidade Católica Portuguesa, onde foi Diretor do Instituto de Ensino e Formação a Distancia, na presidência do Prof. Roberto Carneiro, bem como liderou a pedagogia desta universidade no Projeto DISLOGO, que foi um marco no Ensino a Distância em Portugal.

Paralelamente, desde 1998 que a DLC – Distance Learning Consulting, Lda. tem vindo a participar na mesma missão de esclarecimento e de demonstração nas universidades portuguesas e estrangeiras, bem como em organizações de todo o género, com destaque para as empresas e centros de formação. Infelizmente, esta empresa ainda é uma PME, pois foi a única sobrevivente dos pioneiros que, desde o final dos anos 90, andaram a divulgar a “boa nova” chamada eLearning, mas nunca conseguiu dar o salto em frente e tornar-se numa empresa de grande dimensão, embora possuísse todos os ingredientes para alcançar este patamar: um dos mais avançados modelos pedagógicos e andragógicos do mundo e uma plataforma tecnológica própria de comprovada qualidade, bem como equipas de elevada especialização.

Perguntará o leitor, então o que terá falhado para a DLC não ser hoje uma grande empresa? – O mesmo de sempre na educação e formação profissional: contexto favorável, resistência à mudança e medo da perda do emprego, em especial dos professores e formadores, bem como falta de preparação de quem decide, sejam gestores de recursos humanos ou responsáveis do Ministério da Educação. Só algumas pessoas em empresas e no Estado tiveram a coragem de avançar. São aquelas a que a curva da Gauss chama de pioneiros e representam cerca 2,2% do lado direito da curva normal. Foram estes que permitiram à DLC sobreviver ao longo de 21 anos e ser uma PME de sucesso; mas não uma grande empresa.

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O Corona Vírus, no final de 2019, surge de rompante e com enorme violência, como tantas vezes aconteceu na História, forçando a mudanças que, neste caso, já eram tidas como inevitáveis se esta pandemia as não tivesse precipitado, pois o Ensino Presencial há muito que estava desajustado das necessidades de aprendizagem, especialmente, no século XXI, onde a digitalização e robotização, a par com a Inteligência Artificial, demonstraram que existe uma total dessintonia entre aqueles que aprendem e a evolução das organizações. A atual situação veio colocar totalmente a nu o que já se sabia, pois 95% das empresas e 99% das escolas básicas, secundárias e universidades não estavam preparadas para a aprendizagem por meios online, embora quase todos dissessem que faziam bLearning. Esta assunção da realidade não é para nós uma surpresa, devido ao conhecimento profundo que temos do sistema de ensino, dado sempre termos considerado, desculpem-nos o plebeísmo, que era pura “conversa da treta”, o que estas instituições diziam sobre os seus programas de bLearning.

Não é necessário nenhum caso concreto, pois conhecemos bem o sistema de educação por dentro e por fora há muitos anos, mas tudo aquilo que se diz nos órgãos de comunicação social será o dever ser, e não a realidade. Como esta crise é bem diferente das outras, levou o Governo a socorrer-se, como fez Sotto-Mayor Cardia, então Ministro da Educação do PREC, a criar a Telescola, a qual, em 1977 foi um êxito. Não fora esta medida, que só peca por tardia, e a maioria das famílias teria apenas o faz-de-conta do eLearning das escolas públicas e privadas, pois há quase três semanas que estou em clausura, onde está também a minha neta, aluna do 9º ano de escolaridade da Escola Vasco da Gama do Parque das Nações, que utiliza um sistema de aulas online, que é inaceitável em pleno século XXI. 

Quando no período de 2004 a 2009, como professor, coordenei a disciplina de Didática das TIC num mestrado da Universidade Católica Portuguesa, destinado essencialmente a professores, cedo tive a perceção que os docentes tinham um enorme défice na utilização dos computadores. É verdade que passaram dez anos e que muita coisa mudou, mas fui-me mantendo sempre em contacto com este universo e, constato que, devido à falta de estímulos e de meios, as escolas foram fazendo o que lhes era possível, todavia, foram sempre o elo mais fraco, pois a maioria dos alunos, nos computadores como nos smartphones, sempre tiveram uma proficiência muito superior à dos professores, portanto, o Corona Vírus apanhou as escolas, de um modo geral, “totalmente descalças”. Mesmo no Ensino Superior o bLearning nasceu com a Moodle (plataforma gratuita) só para poderem pagar menos aos professores, pois esta metodologia pedagógica nunca foi encarada como devia ser, isto é, como um sistema destinado a ensinar e aprender, mas meramente como um complemento barato e também alternativo às antigas fotocópias dos PowerPoint, das sebentas ou dos apontamentos. 

O mundo mudou e mudará mais com o COVID_19; nada será igual ao passado, portanto, todos temos a enorme responsabilidade de passarmos a ser agentes de uma mudança perene, que faça jus ao primeiro quartel do século XXI, onde a aprendizagem possa recorrer preferencialmente aos meios tecnológicos, para aprendermos como maior satisfação, motivação e em menos tempo. As crianças e os adolescentes agradecem, pois usam em casa computadores e telemóveis com elevada mestria, com acesso ao multimédia, ao dinamismo e à celeridade e depois sentam-se numa carteira 50, 60 ou 120 minutos na frente do docente que expõe matérias. Foi algo que Platão e Aristóteles fizeram há 2.500 anos atrás, também foi feito por professores da 1ª, 2ª e 3ª Revolução Industrial, mas como se compreende, está totalmente fora do âmbito da Revolução 4.0.

A minha Tese de Doutoramento, há já muitos anos, provou de forma científica e estatístico-matemática que o eLearning pode reduzir o tempo de aprendizagem em cerca de 50 por cento. Também no bLearning, se for deixado ao eLearning o que é deste e usarmos o presencial somente para os Métodos Ativos, daremos a esta forma de aprender uma eficácia jamais registada. Por último, a experiência da DLC nos anos mais próximos, deu-nos a convicção que os smartphones são um equipamento que permite alcançar a velha máxima do Ensino a Distancia: estudar onde, como e quando quisermos e ao nosso próprio ritmo, para além de o fazer com resultados quantitativos e qualitativos muito superiores ao método presencial.  

A nossa experiência piloto no Colégio de São João de Brito, já no longínquo ano de 2005, com crianças e adolescentes, demostrou que mesmo na metodologia presencial com apoio online, podem os professores usar LCD, projetor de vídeo ou quadros eletrónicos, com uma plataforma de eLearning e cursos multimédia, de modo a dar aos alunos uma visão dinâmica, por exemplo, do corpo humano e das células, bem como estes fazerem os TPC por meios online com correção automática. É verdade que nestas idades, devido à falta de maturidade e de capacidade de autoestudo, a presença na sala de aula mostra-se absolutamente indispensável, mas não sentados 50 minutos ou mais a ouvir alguém falar e a escrever num quadro, como se fazia na Grécia e Roma antigas, pois o universo deles será o digital. No dizer das suas próprias palavras: “é uma grande seca”. Com os estudantes universitários será tudo diferente, pois têm liberdade para frequentar ou não as aulas e devem ser movidos por objetivos muito precisos e concretos.

Assim, na Formação Profissional e numa parte substancial do Ensino Superior, como os aprendentes possuem uma maturidade diferente e obrigações de outra índole, o ideal é que a aprendizagem seja feita em meios pedagógicos que lhes ofereçam processos onde possa existir continuidade permanente entre a teoria e a prática, como será o caso do Sistema Trial, sucessor do Sistema Dual, muito usado na Alemanha. Isto é, começam a aquisição de conhecimentos e também alguma prática simulada a partir do local onde habitam, através da plataforma e de meios multimédia que disponibilizam conteúdos interativos e responsive. 

De seguida, o processo terá continuidade num período mais reduzido, a partir da formação em sala, baseada nos Métodos Ativos. Finalmente, vão passar para a aprendizagem no contexto de trabalho (formação on-the-job). Assim, começam por aprender e treinar, através de simulações, os conteúdos específicos de cada disciplina, depois exploram o saber ser com casos, problemas e jogos (trabalho em equipa). Finalmente, num contexto organizacional, passam da aprendizagem às competências através do treino.

Mudança Imposta pelo COVID_19                

De repente todos acordaram para o eLearning, seja ele síncrono, através dos webinar e videoconferências (Skype, Zoom, Teams, AdobeConnect, Cisco, etc.) ou do eLearning assíncrono, suportado por inúmeras plataformas tecnológicas (Netforma, Moodle, BlackBoard, CornerStone, etc.), o que dará lugar a um “surto” de oportunismo, pois todos os “aprendizes de feiticeiro” vão sair da sua toca e dizer ao mundo que sabem isto e aquilo. A História repete-se sempre como disse Karl Marx, primeiro como tragédia (foi o que aconteceu entre 2000 e 2003) e depois como farsa (é o que está a acontecer agora). Na primeira situação, a da “bolha informática”, quase todas as empresas de eLearning, pequenas e grandes foram à falência. Atualmente, vão enganar os clientes (farsa) dizendo-lhes que são a solução que eles procuram e, por esta razão, vamos regredir novamente, pois as pessoas vão continuar a preferir o Presencial, pois nesta metodologia já conhecem as vantagens e as desvantagens. Os investigadores e as empresas experientes vão ter novamente de voltar à “evangelização”, o que nos fará perder a todos muito tempo. 

Para vos dar a conhecer melhor esta farsa ou, de um modo mais objetivo, uma calamidade, pois o Corona Vírus acabou por gerar a maior crise social, sanitária e económica que a Humanidade alguma vez teve de enfrentar, anexo um artigo, que escrevi em 2006 para a Associação Brasileira de Tecnologia Educacional e que foi revisto em 2013, para ser publicado pela UEL – Universidade Estadual de Londrina, Brasil, no qual, não só mostro os principais perigos dos falsos profetas, como ainda apresento dados de investigação da minha Tese de Doutoramento, que demostraram de uma forma sólida a superioridade do eLearning e bLearning baseados no modelo Pedagógico, Andragógico e Multimédia SAFEM-D e, ainda, na Plataforma Netforma, principalmente, no que concerne à redução significativa do tempo de aprendizagem. Este artigo denomina-se: Aprendizagem através da Tecnologia, que poderá ler através deste link:

Aprendizagem através da Tecnologia – artigo

 

Lisboa, 6 de abril de 2020

António Augusto Fernandes, Ph. D. em Ciência da Educação
Partner e CEO da DLC
Presidente da APTEC – Associação Portuguesa de
eLearning, Aprendizagem pela Tecnologia e Inteligência Artificial

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